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Estiagem prolongada afeta produção de banana no Norte de Minas Gerais

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A pior seca dos últimos 40 anos está afetando a fruticultura no Norte de Minas Gerais. No projeto de irrigação Gorutuba, na região de Nova Porteirinha (MG) e Janaúba (MG), são produzidas cerca de 90 mil toneladas de frutas anualmente, com destaque para a banana, que representa 70% desse total.

O faturamento com a atividade chega a R$ 65 milhões, 12 mil postos de trabalho são gerados. A água, que abastece os 134 quilômetros de canais, vem da barragem Bico da Pedra, que está com apenas 28% da capacidade, menor nível já registrado.

O técnico agrícola Luiz Mendes trabalha em uma propriedade que teve 100 hectares de banana abandonados devido ao racionamento. O prejuízo estimado vai ser de 140 mil caixas de bananas a menos em um ano.

“Optamos em deixar de lado a área que tinha menor produtividade. Dos 200 funcionários, restam 100. A chuva é a única solução”, afirma o técnico.

Luiz Mendes diz que também está preocupado em relação ao futuro do bananal que está sem água. “Temos medo de que a falta de irrigação por um longo tempo no local abandonado leve a morte da plantação. O custo médio do replantio chega a R$ 10 mil o hectare, sem levar em conta os gastos com a estrutura de irrigação”.

A barragem Bico da Pedra foi construída em 1978, com término no mesmo ano, já o projeto, começou na mesma época, mas foi totalmente concluído em 1979. O perímetro irrigado corresponde a cinco mil hectares, mas com a estiagem, algumas áreas tiveram que ser abandonadas. Dois racionamentos permanentes foram realizados, um em maio de 2012 e outro em fevereiro de 2013.

O gerente operacional do Distrito de Irrigação do Perímetro Gorutuba (DIG), Alécio da Roz, explica que, somente em 1988, houve uma situação semelhante quanto ao nível da barragem Bico da Pedra.

Segundo o gerente operacional, nos últimos cinco anos o volume de chuvas caiu. “No último período chuvoso, o reservatório subiu dois metros, sendo que o consumo chega a quatro, ou seja, tivemos uma recarga de menos da metade do que precisamos”, diz.

Para garantir que a água seja levada até os canais de irrigação, um sistema de bombeamento está sendo instalado. “A utilização do sistema vai depender da diminuição da vazão da barragem, mas a partir da segundo quinzena de agosto é provável que iremos utilizá-lo”, explica Alécio.

Alécio da Roz explica que a barragem tem que suprir três funções, consumo humano, irrigação e vazão ecológica do rio Gorutuba. Ele destaca que o rio não está conseguindo desaguar no Verde Grande já está começando a secar 10 quilômetros depois do reservatório, e está sendo mantido pela barragem.

“Caso as chuvas não venham até mesmo a irrigação corre o risco de ser suspensa, já que a barragem tem como prioridade o consumo humano”, afirma.

Queda na qualidade – Além da produtividade, a qualidade das bananas também está sendo alterada. “Um cacho que pesava 26 quilos de frutos, agora tem 17 quilos”, conta Édson Quirino, responsável por supervisionar um bananal em Nova Porteirinha (MG).

A queda na produtividade na plantação da propriedade chega a 30%. Após serem colhidas, as bananas são separadas, conforme o tamanho, característica que também determina o valor de mercado.

“Como o fruto está pequeno e sem enchimento, chegamos a ter uma desvalorização de 60%”, afirma.

No local, foram abandonados cerca de 30 hectares. O supervisor diz que cabe ao proprietário decidir, se com o volume de água fornecido irá reduzir o abastecimento e manter todo o bananal, ou irá deixar uma área sem irrigação. Cada banana precisa de 30 litros de água por dia nesta época do ano.

“Nosso bananal tem 18 anos, nunca passamos por esta situação. A única esperança é mesmo a chuva”, afirma ainda Quirino.

Desemprego “Não há números que estimem a quantidade de pessoas que foram demitidas com a redução das áreas produtivas de banana, mas como a atividade movimenta a economia local um problema social está sendo criado com a redução dos empregos gerados”, diz Alécio da Roz.

Domingos Joaquim Santana trabalhava em um bananal e foi demitido. Além dele, a esposa também está desempregada. Pai de cinco filhos, Domingo se diz preocupado. “Procurei emprego em várias propriedades e ainda não encontrei, mas tenho que continuar. Fui demitido devido à falta de água e por esse mesmo motivo ninguém está contratando.” (Fonte: G1)

Fonte: Ambiente Brasil

RBCM. Laboratório de Investigação do Espaço da Arquitetura. Departamento de Arquitetura e Urbanismo. Centro de Artes e Comunicação. UFPE . Recife — PE. (81) 2126.7362