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Um trabalho para bactérias

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Engenheiro da USP estuda o aproveitamento da oxidação natural do metano por microrganismos em ‘biofiltro’. O gás é responsável por cerca de 15% do efeito estufa e grande parte de suas emissões vem do lixo de aterros sanitários.

O lixo é um problema quase sem fim. Mesmo quando depositado nos aterros sanitários mais modernos, os detritos continuam causando transtornos. Um deles é a liberação do gás metano (CH4), responsável por uma parcela relevante do efeito estufa. Pensando em reduzir essas emissões de forma simples e barata, o engenheiro civil Fernando Marinho, da Universidade de São Paulo (USP), trabalha no desenvolvimento de uma cobertura especial de solo, o ‘biofiltro’, que utiliza a ação de bactérias metanotróficas.

Nos locais em que o lixo comum é tratado de forma apropriada, o descarte ocorre em aterros sanitários de Resíduos Sólidos Urbanos. Esses terrenos, onde os dejetos ficam enterrados em camadas, são preparados para impedir a contaminação da água e do solo, além da proliferação de espécies nocivas. Apesar disso, não existe um método totalmente eficaz para a captura do metano, que resulta da ação de bactérias anaeróbias durante a decomposição do lixo orgânico.

“O que se faz atualmente é instalar um sistema de drenagem, direcionando o metano para a queima, que pode ou não gerar energia elétrica”, explica Marinho. No entanto, devido à compressibilidade dos resíduos e à pressão exercida pelo gás, parte do CH4 escapa para a atmosfera através de fissuras.

O ‘biofiltro’ proposto pelo engenheiro – uma camada de solo preparado para favorecer a proliferação da bactéria que consome metano – seria uma forma de contornar esse problema. “Esses organismos já são abundantes no ambiente”, afirma Marinho. “O que nós fazemos é apenas estimular sua multiplicação, dando a elas condições ambientais adequadas”, completa.

A aeração e a homogeneidade do solo também são importantes para a eficácia do biofiltro. Essas propriedades são necessárias para permitir a passagem e a distribuição uniforme do gás, de modo a impedir concentrações em pontos específicos.

A ideia é que a camada de solo com as bactérias seja colocada no encerramento das atividades do terreno, quando ele não comporta mais lixo. No caso dos aterros, o biofiltro ficaria sobre o último nível e não impediria o plantio de gramíneas, procedimento padrão para impedir a erosão. Marinho também ressalta que, com esse sistema, até mesmo os lixões poderiam diminuir suas emissões, bastando cobrir a área onde estão os detritos.

Atualmente, o grupo coordenado pelo engenheiro realiza estudos no aterro Delta-1, em Campinas (SP). Apesar de a ideia de utilização das bactérias metanotróficas para conter o metano em depósitos de lixo não ser nova, ainda há poucas experiências práticas. “No exterior isso é mais comum, mas aqui apenas alguns pesquisadores desenvolvem estudos nesse sentido”, conta. Nessa linha, Marinho destaca iniciativas da Universidade Federal de Pernambuco, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e da Universidade de Caxias do Sul.



Fonte: Ciência Hoje

Mais informações:
http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2013/01/um-trabalho-para-bacterias

RBCM. Laboratório de Investigação do Espaço da Arquitetura. Departamento de Arquitetura e Urbanismo. Centro de Artes e Comunicação. UFPE . Recife — PE. (81) 2126.7362