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Realidade dos quilombos brasileiros é tema de debate no IPEA

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Mais um seminário do Ciclo de Debates – Ano Internacional dos Afrodescendentes foi realizado na tarde desta quinta-feira, 20, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), na sede do Instituto, em Brasília. Desta vez, o tema abordado foi Acesso à Terra e Comunidades Quilombolas. O evento foi organizado pela Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc) do Ipea.

Participaram do debate o professor doutor do Departamento de Geografia da Universidade de Brasília (UnB), Rafael Sanzio, o representante da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), Ivo Fonseca da Silva, e o assessor técnico da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) da Presidência da República, Ronaldo Oliveira. O mediador foi Antônio Teixeira Lima, técnico de Planejamento e Pesquisa da Disoc.

Lima expôs, no início dos trabalhos, dados sobre a realidade das comunidades rurais quilombolas que revelam que, dos mais de 3.500 quilombos identificados em todo o território brasileiro, apenas 189 têm suas propriedades regulamentadas. O restante se encontra vulnerável ao avanço da agricultura comercial, que ameaça, segundo ele, a estabilidade dessas populações.

Oliveira explicou aos presentes que o Programa Brasil Quilombola (PBQ) tem atualmente ações integradas nos estados do Amapá, Alagoas, Sergipe, Piauí, Pernambuco, Paraná, Paraíba, Pará, Minas Gerais, Maranhão e Bahia. O PBQ, segundo ele, prioriza as ações de identidade, orientação produtiva e de cidadania nas comunidades de difícil acesso, que estão em conflito agrário ou impactadas por grandes obras (como hidrelétricas e a transposição do Rio São Francisco).

Pardos e negros

Sanzio destacou que o Brasil é o segundo maior país com referência étnica da África em todo o planeta. Ele explicou a necessidade de se disseminar a cultural afrodescendente no país:

“Nós, brasileiros, ainda não nos reconhecemos, por conveniência do preconceito”, afirmou o professor, ao falar sobre as estatísticas do IBGE que mostram o grande número de pessoas que se consideram pardas, em comparação àquelas que se consideram negras.
Silva, que vive em quilombo, finalizou o debate esclarecendo que os quilombos sempre se configuraram como movimento social. “Nunca fomos desorganizados”, disse. “Queremos desenvolver o país, mas as especificidades têm de ser respeitadas”, completou.

Fonte: Portal IPEA

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