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Arquitetura Sustentável: Cidades Verdes

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O que têm em comum Pequim e Freiburg? Salvas as devidas proporções, em ambas, o número de bicicletas é o dobro dos automóveis. A Freiburg, chamam-lhe a cidade das bicicletas e dizem que é a “capital alemã do meio ambiente”. É a própria arquitectura da cidade que fomenta esta realidade. No centro da cidade, os estacionamentos para carros são raros, enquanto os de bicicletas são imensos, especialmente em redor da universidade. E embora nem tudo seja perfeito, como acontece no pitoresco bairro histórico, a extensa rede de ciclovias de Freiburg é um claro exemplo a seguir na construção de cidades mais sustentáveis.

Mas nem só de bicicletas se faz esta eco-cidade. O Solarsiedlung – “Vila Solar” – é um interessante condomínio de 58 casas, que respeita a filosofia da “German Passive House”(1) e do “Plus Energy House”(2). Significa isto que, por um lado, garante o conforto interno sem a necessidade de aquecimento e frio; por outro, que o edifico produz mais energia do que consome.

O projecto satisfaz ainda outras preocupações. Escolha de materiais e processos de construção, assim como a mobilidade foram igualmente tidos em consideração. A incidência solar, por exemplo, é uma prioridade e a distância entre os prédios permite o seu isolamento e aquecimento. Já a água da chuva passa por um sistema de drenagem natural, antes de ser lançada nos colectores pluviais, permitindo que parte dela seja utilizada na irrigação de jardins e descargas sanitárias.

Arquitecturas Sustentáveis

Mas o que é uma cidade de arquitectura sustentável? É difícil definir e ainda mais encontrar exemplos perfeitos. Podemos, isso sim, ver rasgos do que se faz nesse sentido e encontrar bons exemplos, como Freiburg. Falamos do uso de tecnologia que permite a captação de energia solar ou eólica, dos modernos processos de reciclagem, nos negócios verdes, na criação de espaços verdes nas cidades ou nos projectos de agricultura biológica.

Falamos de medidas que fomentem as boas práticas dos cidadãos, como os centros das cidades sem carros ou as soluções de compromisso, em que se deixa o carro às portas da cidade, em parques de estacionamento gigantescos, e se usa o transporte público para chegar ao centro. Falamos de uma concepção de cidades que valoriza e potencia os seus recursos – seja o ambiente, as pessoas, os espaços públicos ou os bens ditos materiais, entre outros – em prol de quem vive nelas, sem com isso pôr em causa os mesmos. É, no fundo, uma forma diferente de projectar a cidade; uma mudança no design urbano, portanto.

A maneira como vivemos é determinada, grandemente, pela forma como construímos.

Fonte: Blog Vamos Mudar a Cidade

RBCM. Laboratório de Investigação do Espaço da Arquitetura. Departamento de Arquitetura e Urbanismo. Centro de Artes e Comunicação. UFPE . Recife — PE. (81) 2126.7362