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Cidades médias ‘desafiam’ arquitetos

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Desenvolvimento de municípios como Bauru mobiliza estudantes, que buscam conciliar crescimento com qualidade de vida.

Conciliar o desenvolvimento urbano das cidades de porte médio com a qualidade de vida da população. Essa é uma preocupação contemporânea cada vez mais relevante na carreira de arquitetos e urbanistas, que buscam estratégias e soluções para garantir o desenvolvimento sustentável dessas cidades pensando no bem-estar de seus moradores.

Esse expressivo crescimento de cidades médias, como Bauru, foi o centro das discussões do 35.º Encontro Nacional de Estudantes de Arquitetura e Urbanismo (Enea), que está sendo realizado na cidade desde o último domingo.

Aproximadamente 700 estudantes de arquitetura e urbanismo de todos os cantos do País estão acampados no Recinto Mello Moraes, onde continuarão até dia 17, para conhecer a história, a cultura e a identidade do município. Em meio a isso, os estudantes podem refletir problemas de cidades médias em pleno desenvolvimento.

“Essas cidades passaram a ser foco na discussão de arquitetos e urbanistas porque estão crescendo em um ritmo acelerado e até maior que as metrópoles”, explica a arquiteta Maria Fernanda Nery, que integra a comissão organizadora do Enea.

Portanto, é importante que o futuro arquiteto esteja preparado para lidar com problemas urbanos. “Temos que discutir questões de planejamento urbano dessas localidades. Precisamos pensar neste crescimento e nos antecipar para evitar problemas iguais aos das metrópoles que conhecemos hoje”, acrescenta Maria Fernanda.

E, para mostrar que o futuro profissional de arquitetura está atento às cidades de porte médio e que este tema ganha cada vez mais força entre profissionais e especialistas da área, a sede do evento do Enea ocorre pela primeira vez em uma cidade do porte de Bauru, fora dos grandes centros urbanos e de cidades turísticas.

Qualidade de vida


Para o diretor geral do evento, João Felipe Lança, a preocupação com a dinâmica e o crescimento urbano deve ser trabalhada na formação dos futuros arquitetos e urbanistas e já faz parte do dia a dia de muitos profissionais da área.

“O arquiteto era visto como alguém que só fazia trabalhos para a elite. Hoje, este profissional está mais acessível a toda sociedade”, expõe. “O arquiteto não é só alguém que desenha casas. Ele está preocupado com a cidade como um todo, com o ritmo de crescimento urbano e a qualidade de vida dos moradores”, ressaltou.

João Felipe identifica alguns problemas que surgem em meio ao crescimento acelerado de cidades médias. “O trânsito é um deles, cada vez mais caótico. Com a expulsão das classes mais baixas para a periferia, criamos também sérios problemas com a habitação. As áreas centrais, que são mais valorizadas, acabam ficando com extensas localidades desabitadas e a população precisa se deslocar em longas distâncias para trabalhar, pois tudo fica no centro da cidade”, assinala.

“Isso é ruim para o município, pois gasta-se mais com transporte, para levar energia até a periferia, água, iluminação todo tipo de estrutura”, aponta.


Fonte: JCnet
Mariana Cerigatto
14/07/2011

RBCM. Laboratório de Investigação do Espaço da Arquitetura. Departamento de Arquitetura e Urbanismo. Centro de Artes e Comunicação. UFPE . Recife — PE. (81) 2126.7362