BUSCA

Já centenária, o desafio de Juazeiro do Norte é organizar o crescimento

compartilhe:


A cidade estuda como vai planejar os próximos dez anos, visto que cresceu em espaço curto e os tormentos de metrópole já fazem parte do cotidiano.

De povoado com 12 casas de tijolos e 20 de taipa e palha à marca de terceira maior cidade do Estado, Juazeiro do Norte viveu forte crescimento nos últimos cem anos. A maior cidade cearense fora da Região Metropolitana é morada de 249.939 pessoas, divididos em apertados 248,2 km², terceira maior densidade populacional do Estado.

Já que não se pode prever para onde crescerá a cidade nos próximos cem anos, a discussão se volta para os rumos desse “inchaço” para, pelo menos, os próximos dez. A secretária de Planejamento e Desenvolvimento da cidade, Marta Gurgel, anuncia que até o fim do ano sairá a revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) do município. O anterior é de 2001 e não está sendo monitorado, admite a secretária.

“Para este ano vamos fazer revisão do PDDU e implantação de um rigoroso e permanente controle urbanístico”, promete Marta. Segundo ela, o município pretende colocar em prática diretrizes previstas no Estatuto das Cidades, como fiscalização da função social do imóvel e cobrança de IPTU progressivo em caso de descumprimento ao que diz a lei.

Outras ações a serem implantadas, segundo a secretária, estão: a volta do Conselho Municipal do Plano Diretor, em agosto; realização de estudos prévios de impacto ambiental na cidade; revitalização do Fundo Municipal de Desenvolvimento Urbano e criação de ferramentas de tombamento do patrimônio histórico.

“Vamos usar a ideia de ‘unidades de vizinhança’: a cada 6 quilômetros haverá postos de saúde, escola, ponto de transporte viável, tudo para que seja preciso se deslocar do bairro”, projeta a secretária.

Marta pondera que o plano diretor é trabalho que “vai ser feito aos poucos”, mas cita problemas urgentes a serem resolvidos, como as calçadas desniveladas e a ocupação irregular de pequenos comércios. “É uma aventura tentar andar na rua. Há também muitas casas pequenas sem ventilação. É preciso haver fiscalização maior”, aponta.

Com o crescimento urbano, Juazeiro do Norte, embora seja cidade média, tem reproduzido tormentos de grandes centros. O professor de Geografia da Universidade Regional do Cariri (Urca), Ivan Queiroz, cita que os problemas de acesso à terra e moradia, tráfego intenso e o que o pesquisador chama de “cidade marcada pela arquitetura do medo”.

“Historicamente Juazeiro é marcada pela violência, como área de convergência de jagunços. Na década mais recente, são muros sendo duplicados, ambientes mais fechados. O apelo a esses recursos tem muito a ver com o perfil da população que vem de fora, trazendo a ‘pilha’ (do medo) da grande cidade”, avalia.

Quanto à questão do preço dos imóveis, Ivan cita a ocorrência de uma bolha de especulação imobiliária muito forte. Em relação ao trânsito, ressalta que “a malha viária da cidade é dos anos 80”.

Sobre o plano diretor, Ivan cita que há dificuldades de se efetivar a participação coletiva da população. Segundo ele, no novo texto, deve-se atentar para áreas consideradas “de uso misto” (residencial, comercial e industrial).

“Novos negócios têm sido festejados, mas qual o custo disso? Estão concentrados num único eixo que une as três cidades (Juazeiro, Crato e Barbalha). Tudo é concentrado. A tendência é estrangular (o crescimento)”, avalia Ivan.

SAIBA MAIS

A Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento de Juazeiro do Norte foi criada em maio deste ano. É função da pasta planejar o crescimento urbano do município.

De acordo com a secretária Marta Gurgel, a cidade deve seguir os exemplos de Belo Horizonte (MG) e Santo André (SP), que conseguiram “repaginar o centro urbano”. “São cidades parecidas, quase que idênticas a Juazeiro, que cresceu sem o olhar do poder público”, diz.

A elaboração do plano diretor da cidade deve contar com o apoio do curso de Engenharia da UFC no Cariri.

Fonte: O Povo, Jornal de Hoje/CE
Reporter: Thiago Mendes

RBCM. Laboratório de Investigação do Espaço da Arquitetura. Departamento de Arquitetura e Urbanismo. Centro de Artes e Comunicação. UFPE . Recife — PE. (81) 2126.7362