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Sustentabilidade nas cidades ainda precisa avançar no Brasil

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Segundo a ONU, até 2030, haverá em todo o mundo 41 megalópoles com mais de 10 milhões de habitantes. Porém, o ritmo atual de ocupação urbana, além de não ser inclusivo, pois nem todas as pessoas têm acesso à moradia, é extremamente desorganizado. Com isso, nem todas as pessoas ficam alocadas em espaços adequados, seja por serem áreas de risco de desabamentos e alagamentos, seja por sofrerem com a falta de saneamento básico, iluminação, entre outras condições de infraestrutura.

Dando sequência à série sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, no quadro UrbanSus, com o professor Marcos Buckeridge, do Instituto de Estudos Avançados da USP, o Jornal da USP no Ar entrevistou Carlos Leite de Souza, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie e pesquisador do grupo Cidades Globais do Instituto de Estudos Avançados, sobre o décimo primeiro objetivo: tornar as cidades e comunidades sustentáveis.

O crescimento das megalópoles já chegou ao seu máximo na região de São Paulo, Rio de Janeiro e em outras cidades da América do Sul, mas, como aponta Buckeridge, tende a seguir em expansão em regiões como África e Ásia e por isso vem ganhando atenção ao redor do mundo.

O professor Carlos Souza relembra que, no Brasil, a criação e adoção do Estatuto da Cidade empoderou os municípios e delegou muitas funções, dando autonomia e organizando a gestão urbana de forma mais descentralizada.

Segundo Souza, uma das principais discussões é a de como financiar as mudanças em busca de mais sustentabilidade. Em termos de arrecadação, em São Paulo, cidade mais populosa do País, a cobrança de uma taxa sobre a construção e a comercialização de títulos do Certificado de Potencial Adicional de Construção (Cepac) já dá conta de 20% do orçamento para financiamento do município. O desafio é a efetivação do uso desse dinheiro na inclusão social, aponta o especialista.

Os principais impedimentos para esse objetivo, apontados pelo professor, são as decisões políticas, que impedem a continuidade das medidas implantadas através das gestões, e a falta de integração das políticas públicas. Ele traz como exemplo a ser seguido a criação de uma empresa de desenvolvimento urbano em Medellín, após um grave período de crise da cidade, para coordenar as políticas desenvolvidas por diferentes órgãos.

FONTE: https://jornal.usp.br/atualidades/sustentabilidade-nas-cidades-ainda-precisa-avancar-no-brasil/

RBCM. Laboratório de Investigação do Espaço da Arquitetura. Departamento de Arquitetura e Urbanismo. Centro de Artes e Comunicação. UFPE . Recife — PE. (81) 2126.7362